Minha visão sobre a psicanálise
Uma pergunta frequente em minha prática é: “A psicanálise
cura?”
Minha resposta é: não — e é justamente aí que
reside sua potência.
A ideia de “cura” sugere o fim do sofrimento, do problema, da
insatisfação. Mas enquanto houver vida, haverá falta e desejo.
A psicanálise não busca apagar o sofrimento, mas
transformar nossa relação com ele.
Trata-se de uma libertação: a possibilidade de
sofrer por coisas diferentes, de
abrir portas antes trancadas dentro de
nós.
Imagine viver numa casa imensa, cheia de cômodos, mas
permanecer apenas no banheiro — a psicanálise é o convite para
abrir a porta e explorar o restante da casa.
Como trabalho
Cada análise é única. Não há manual de instruções, nem um
caminho pré-definido — há o sujeito e sua história. Meu papel
é escutar, acolher e
acompanhar o paciente nesse percurso de
escavação de si mesmo: uma verdadeira
arqueologia do inconsciente, em busca da
origem do que se repete e causa sofrimento.
Quando nomeamos aquilo que nos atravessa, o inconsciente ganha
forma simbólica, e o sujeito pode escolher — não apenas
reagir.
Psicanálise e PcD
Na clínica da pessoa com deficiência, atuo no entrelaçamento
entre pedagogia e psicanálise, promovendo
autonomia e desejo em uma sociedade que frequentemente os
infantiliza.
O processo inclui também o
acolhimento dos pais, para que possam
encontrar um lugar de fala e escuta nesse percurso.